sexta-feira, junho 15

A mão que balança o copo

Quem decide se uma contratação é boa ou não? Quem tem a ultima palavra, que dúvidas totais dissipam? Quem faz o balanço e decide se o copo está para cima ou para baixo de meio quando, findada uma relação laboral entre um jogador e um clube, se fazem contas ao deve e ao haver?
Corria o ano de 2001 e o Sporting lançou mão de Jardel. Eu era então um astrologo que tentava subir a escada da produtividade, procurando ser o mais preciso possível nas minhas indicações qualitativo-temporais da produtividade dos atletas. Estava verdinho, é um facto, ou melhor, mais verdinho do que estou hoje em dia. Olhei de esguelha para o mapa de Mário Jardel e lancei a frase ao meu primo (o famoso): "epa isto vai ser um flop do caraças, que o gajo tem ali uns indicadores de derrota e descida de produtividade".
Um tipo de afirmação generalista deste género, sem indicar com precisão quando tais efeitos exteriores se viriam a produzir, pode acabar prematuramente com a carreira de alguem que pretende ter a veleidade de conseguir projectar condições de rendimento de jogadores de futebol.
Mas, tambem por ter sido proferida quando o foi, numa altura em que os meus conhecimentos de análise geral eram os únicos de que dispunha em contraponto aos fundamentais conhecimentos de analíse especifico-temporal*, deixando de lado a possibilidade de distinguir exactamente em que época se produziriam os factos relativos à previsão, a mea culpa tem de vir associada a um factor de exclusão de responsabilidade: a ignorância é a mãe de todos os erros, embora vos digam o contrário em qualquer tribunal que pisem.
Como é certo e sabido, a primeira temporada de Jardel em Alvalade foi magnifica. Golos a jorro, campeonato e taça de Portugal no bolso. Um sucesso tremendo.
A segunda temporada em Alvalade marcou o inicio do fim da carreira ao mais alto nível do mais extraordinário numero 9 que vi jogar em Portugal. Por entre imensas tropelias, o Sporting acabou por ter de se ver livre do jogador, vendendo ao desbarato o passe de um jogador que havia custado 6 milhões de euros um ano e picos antes.
Quem decide, peremptoriamente, se valeu a pena ter trazido jardel? Bom, eu não sou concerteza, e sei disso. Hoje sei-o bem. O meu trabalho resume-se a descrever condições conjunturais, e a procurar o meu balanço, nunca a julgá-las.
Mas, independentemente de em 2001 não estar preparado para efectuar uma análise mais precisa, a lição que me ficou, até porque o meu primo jamais me deixa esquecer essa previsão, é que os balanços são tantos quantas as cabeças que os procuram fazer.
* Os conhecimentos de analíse especifico-temporal continuam a ser um dos grandes problemas que se me deparam no trabalho que procuro efectuar. O óbice do desconhecimento da hora torna-se, a mais das vezes, inultrapassável, impedindo projecções mais fiáveis, ao que se juntam, como é evidente, os casos de azelhice e ignorância do astrologo. O caso de jardel é daqueles em que o desconhecimento da hora não atrapalhava nada.Mas como é costume dizer-se, à segunda-feira toda a gente acerta no totobola.

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